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Entre o dinheiro e a intimidade: o equilíbrio que sustenta uma relação sugar

SB Equipe Sugar Brasil · Atualizado em 20 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Uma das características mais interessantes das relações sugar é que elas combinam dois elementos que, à primeira vista, parecem pertencer a universos diferentes: intimidade e dinheiro. Há expectativa de companhia, atração, carinho e conexão, mas também algum tipo de benefício material. É essa combinação que diferencia o sugar tanto de um namoro convencional quanto de uma transação puramente comercial.

Existe uma dimensão financeira claramente presente, mas os participantes frequentemente procuram evitar que ela domine a percepção do relacionamento.

O que é relational work?

Essa tensão está no centro do artigo Avoiding the transactional "feel" while getting paid: Affect and relational work in sugar dating, de Catherine Lavoie Mongrain, publicado em 2024 na Canadian Review of Sociology. A autora usa o conceito de relational work, de Viviana Zelizer: as pessoas estabelecem regras sobre quais transações são apropriadas em cada tipo de relacionamento, e o dinheiro não tem um significado único. Seu sentido depende da relação em que ele circula.

Nas relações analisadas, a forma como o dinheiro é apresentado pode ser tão importante quanto sua existência.

O problema do "feel" transacional

O problema aparece quando a relação ganha uma estrutura excessivamente explícita de serviço, preço e pagamento. Imagine um arranjo em que cada encontro tem um valor definido, um número de horas e uma remuneração ligada diretamente às atividades realizadas. Socialmente, esse modelo produz uma sensação muito mais comercial e pode entrar em conflito com a experiência de intimidade que caracteriza o sugar dating.

Por isso, práticas como fixar um preço por hora, calcular com precisão o tempo de cada encontro ou associar uma quantia a um ato específico criam uma percepção diferente da que se associa a uma relação sugar. O sugar procura se apresentar como algo baseado em companhia, experiências compartilhadas, conexão e benefícios mútuos, distinguindo-se de uma transação sexual puramente comercial.

Presentes, allowances e a distância simbólica

Para evitar esse "feel", os participantes recorrem a presentes, allowances e outras formas de benefício material que não ligam uma atividade específica a um pagamento específico.

A diferença é importante. Existe uma distância simbólica entre "você recebe X por este encontro" e "eu quero cuidar de você e contribuir para a sua vida". Economicamente, as duas frases podem representar a mesma transferência de recursos. Socialmente, comunicam significados muito diferentes.

Como falar sobre dinheiro

Falar de compensação de forma muito direta pode ameaçar a própria experiência que o relacionamento pretende oferecer. Algumas entrevistadas preferem negociar de maneira indireta, demonstrando que gostam de ser cuidadas ou compartilhando certas necessidades. Outras consideram mais apropriado tratar do assunto pessoalmente, deixar que o homem mencione um valor primeiro ou evitar que a conversa vire uma negociação parecida com a contratação de um serviço.

Isso não significa que o dinheiro desapareça. A pesquisa mostra o contrário: ele continua sendo parte fundamental da relação. O que muda é sua posição dentro da narrativa.

Nem transacional demais, nem íntimo demais

Uma relação sugar precisa encontrar uma zona intermediária. Se fica transacional demais, parece uma troca comercial. Se fica emocional demais, pode perder a característica que explica a existência do acordo financeiro.

Essa segunda situação aparece nas entrevistas: alguns sugar daddies desenvolvem sentimentos genuínos e imaginam que a relação poderia continuar sem pagamentos, mas algumas sugar babies não querem eliminar o componente financeiro. Para elas, o dinheiro segue sendo parte da estrutura que define a relação. Ter conexão emocional é diferente de transformar o acordo em um namoro convencional.

Autenticidade, performance e limites

A intimidade no sugar dating não precisa ser falsa para envolver algum grau de performance. As entrevistadas relatam demonstrar interesse, adaptar a aparência, oferecer apoio emocional e criar experiências prazerosas. Algumas descrevem até o uso de uma espécie de personagem durante os encontros. Isso não quer dizer que todo sentimento seja simulado: alguém pode gostar de verdade da companhia do outro e, ao mesmo tempo, administrar quanto desse sentimento demonstra.

Os limites ajudam nessa administração. Algumas entrevistadas definem fronteiras sobre a frequência dos encontros, o contato fora deles, as informações pessoais e as formas de intimidade. E essa zona intermediária não é fixa: pode mudar com o tempo e exigir novas conversas.

No fundo, o argumento de Mongrain é que uma relação sugar não precisa eliminar sua dimensão financeira, e sim integrá-la ao significado geral da relação. O dinheiro pode existir sem que cada encontro seja reduzido a uma conta, e a compensação pode ser importante sem transformar o relacionamento em uma tabela de preços. Combinar benefício material, companhia e intimidade sem reduzir um elemento ao outro é, segundo a autora, parte essencial do trabalho relacional do sugar dating.

Quer ver outro lado da pesquisa sobre sugar?

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