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Grupos de mimos e grupos sugar: onde termina um e começa o outro?

SB Equipe Sugar Brasil · Atualizado em 1 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

É difícil dizer exatamente como tudo começou, mas provavelmente foi com os grupos em que homens pagavam iFood para mulheres. A ideia, ao menos em sua concepção original, era simples: se simpatizassem com alguma garota, por sua aparência, personalidade ou qualquer outro motivo, poderiam lhe pagar um lanche. Um gesto de gentileza, uma demonstração de interesse ou, quem sabe, o início de alguma aproximação.

No entanto, as coisas nem sempre funcionaram assim, e certamente não funcionam dessa maneira hoje. Um dos motivos mais óbvios é que há muito mais pessoas interessadas em receber presentes do que pessoas dispostas a oferecê-los sem esperar nada em troca. Assim, os chamados grupos de mimos se espalharam, primeiro pelo Facebook e depois pelo WhatsApp. Neles, porém, os homens geralmente não ofereciam presentes de graça, mas esperando alguma recompensa. E essa recompensa, quase sempre, envolvia o recebimento de conteúdo íntimo ou sexual.

Mas o que grupos de mimos têm a ver com relacionamentos sugar? A resposta é simples: nada.

É bastante comum encontrar mulheres e homens entrando em grupos sugar com o objetivo de receber mimos. Algumas chegam a oferecer conteúdo íntimo antecipadamente, como uma espécie de demonstração do que poderiam proporcionar em troca de dinheiro ou presentes.

Isso não é um julgamento moral. Vivemos em uma época em que é extremamente fácil criar uma conta em plataformas como o Privacy e outras semelhantes. Pessoas vendem e compram conteúdo íntimo o tempo todo, e não há nada de particularmente surpreendente nisso. O problema não está na comercialização desse conteúdo, mas em confundir essa atividade com uma modalidade de relacionamento que tem outra natureza.

O propósito de um relacionamento sugar nunca foi uma troca instantânea e momentânea. Se fosse, estaria muito mais próximo da prostituição do que de um relacionamento propriamente dito.

A dinâmica sugar pressupõe uma relação que se desenvolve ao longo do tempo, geralmente entre um homem mais velho, com mais recursos financeiros e uma postura mais protetora, e uma mulher mais jovem, que evidentemente tem interesses financeiros, mas também espera encontrar um relacionamento. Não apenas sexo, não apenas presentes e muito menos uma transação isolada.

Isso não significa que todos os relacionamentos sugar sejam iguais, nem que exista uma fórmula universal para defini-los. As expectativas podem variar bastante entre os envolvidos. Existe, porém, uma diferença fundamental entre oferecer dinheiro em troca de conteúdo íntimo e estabelecer uma relação em que presentes, apoio financeiro, companhia, afeto e intimidade fazem parte de uma dinâmica construída entre duas pessoas.

São coisas diferentes, mas é muito comum vê-las misturadas. Talvez porque os grupos de mimos e os grupos sugar compartilhem parte do mesmo público, talvez porque ambos envolvam dinheiro, presentes e interesse sexual. Mas compartilhar algumas características não significa pertencer à mesma categoria.

Daddies de verdade não estão interessados em conteúdo íntimo, mas em intimidade.

Essa distinção é importante. Um homem que se apresenta como daddy, mas cuja primeira abordagem é pedir fotos íntimas ou oferecer dinheiro por elas, provavelmente não está interessado em ser um companheiro de verdade. Seu interesse parece muito mais próximo de uma troca momentânea de satisfação por dinheiro.

E não há necessariamente nada de errado nisso. Muitas vezes, é simplesmente o que uma pessoa pode oferecer naquele momento, seja por suas circunstâncias, suas expectativas ou suas próprias escolhas. Desde que todos sejam adultos e estejam conscientes do que estão fazendo, não cabe a terceiros julgar moralmente suas decisões.

O que cabe, no entanto, é chamar as coisas pelo nome. Comprar conteúdo íntimo não é estabelecer um relacionamento sugar. Receber um presente em troca de uma foto não é necessariamente fazer parte de uma dinâmica sugar. E entrar em um grupo sugar não transforma automaticamente uma negociação de conteúdo em um relacionamento.

A confusão entre essas práticas pode gerar expectativas frustradas, especialmente quando uma das partes acredita estar construindo uma relação enquanto a outra só está interessada em uma transação.

No fim, a diferença não está no valor do presente, na quantidade de dinheiro envolvida nem sequer na existência de intimidade sexual. Está na natureza do vínculo que as pessoas pretendem estabelecer.

Antes de entrar em um grupo

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