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O que faz alguém aceitar ser sugar?

SB Equipe Sugar Brasil · Atualizado em 29 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

O que leva uma pessoa a aceitar um relacionamento sugar? A resposta mais óbvia seria o dinheiro. Afinal, esse tipo de relação costuma envolver alguém que oferece recursos financeiros, presentes ou outras vantagens em troca de companhia, intimidade ou sexo. Mas uma pesquisa internacional, com quase 70 mil participantes de 87 países, sugere que a explicação é mais complexa.

O estudo, publicado na revista Archives of Sexual Behavior, procurou entender quais características estão ligadas a uma maior abertura para relacionamentos sugar. Os pesquisadores separaram dois lados: a disposição de ser a pessoa mais jovem, que recebe recursos, e a disposição de ser a pessoa mais velha, que os oferece.

Maior abertura para sexo sem compromisso

Um dos fatores que mais se destacaram foi a maneira como cada pessoa encara o sexo e os relacionamentos. Quem demonstrava maior abertura para sexo casual também tendia a aceitar mais a ideia de um relacionamento sugar.

Isso faz sentido quando pensamos no que diferencia o sugar de um namoro tradicional. Para algumas pessoas, sexo e relacionamento não precisam estar ligados a compromisso, exclusividade ou planos de longo prazo. Para elas, o sugar pode parecer menos estranho: reúne atração, companhia, intimidade e benefícios materiais, sem a expectativa de construir imediatamente uma vida a dois.

Isso não significa que toda pessoa sugar tenha uma vida sexual mais aberta, nem que entre nesse tipo de relação só por sexo. O estudo encontrou uma associação, não uma regra. Há quem procure companhia, carinho, experiências, contatos profissionais ou simplesmente expectativas diferentes das do namoro convencional. Mas a tendência existe: quanto maior a abertura para relações sem compromisso, maior tende a ser a abertura para o sugar.

O papel das expectativas entre homens e mulheres

Outro resultado apareceu quando os pesquisadores analisaram as ideias das pessoas sobre os papéis de homens e mulheres. A maior aceitação dos relacionamentos sugar esteve associada a uma visão mais tradicional desses papéis: quem vê com naturalidade homens e mulheres ocupando papéis diferentes numa relação também se mostrou mais aberto ao sugar.

Isso ajuda a explicar uma característica bem visível desse universo: com frequência, o homem é quem oferece recursos e a mulher é quem recebe. Essa divisão não é obrigatória, já que existem sugar mommies, sugar boys e outras configurações. Ainda assim, o modelo mais conhecido segue essa estrutura, e expectativas tradicionais sobre gênero podem torná-lo mais familiar para algumas pessoas.

Receber parece mais atraente do que fornecer

Talvez o resultado mais revelador seja outro. Os pesquisadores perguntaram às mesmas pessoas sobre os dois lados da relação e, na maioria das regiões analisadas, a disposição para receber foi maior do que a disposição para fornecer.

Parece intuitivo, mas é importante porque mostra que os dois papéis não são apenas a mesma relação vista de lados diferentes. Para muita gente, receber dinheiro, presentes ou benefícios de alguém mais velho é mais aceitável do que ser quem oferece esses recursos. Isso também ajuda a entender por que o conceito de sugar baby ficou tão conhecido: receber benefícios pode ser visto como oportunidade, enquanto pagar por companhia ou intimidade pode parecer menos atraente.

Então, por que alguém aceita ser sugar?

O estudo não aponta uma única razão. O dinheiro é parte importante da história, mas não basta para explicar o fenômeno. Uma pessoa pode se interessar porque já tem uma visão mais aberta sobre sexo e relacionamentos. Outra pode se sentir confortável com uma divisão mais tradicional de papéis. Outra pode achar atraente receber benefícios em uma relação que também oferece companhia, intimidade ou experiências.

Talvez o melhor seja abandonar a ideia de que existe um único perfil de quem aceita ser sugar. Para alguns, é principalmente uma questão financeira; para outros, uma forma diferente de viver relacionamentos. Para muitos, provavelmente é a combinação das duas: uma relação que oferece algo que desejam e que funciona dentro de uma visão de sexo, intimidade e papéis de gênero com a qual já se sentem confortáveis.

Aceitar ser sugar, portanto, não parece depender apenas da necessidade de dinheiro. A maneira como cada um encara sexo, relacionamentos e os papéis de homens e mulheres também pesa nessa decisão.

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