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O que é uma relação sugar? O que dizem 27 estudos científicos

SB Equipe Sugar Brasil · Atualizado em 30 de setembro de 2026 · 4 min de leitura

Quando se fala em sugar dating, é comum imaginar uma relação bem específica: um homem mais velho e rico que oferece dinheiro a uma mulher mais jovem em troca de companhia, intimidade ou sexo. Essa imagem, porém, está longe de representar toda a variedade encontrada na literatura científica.

Uma revisão publicada em 2026 por Madeline Stenersen e colaboradores, Sugar coated connections: A scoping review of sugar dating, na revista Current Psychology, mostra que não existe uma definição única e consensual do que é uma relação sugar. Os autores analisaram 2.825 referências e incluíram 27 trabalhos na revisão, encontrando diferenças significativas na forma como os pesquisadores definem o sugaring, interpretam suas motivações e avaliam as relações de poder entre os participantes.

Uma definição flexível

De modo geral, os pesquisadores descrevem o sugar dating como uma relação em que há algum tipo de troca entre recursos materiais e companhia, intimidade ou atenção. Mas os limites dessa definição são bastante flexíveis. Em algumas relações existe sexo; em outras, não. Algumas se aproximam de um namoro convencional, outras de uma relação de companhia. Também podem envolver viagens, presentes, experiências de luxo, aconselhamento ou networking.

Por isso, os pesquisadores divergem sobre se o sugar dating deve ser entendido como relacionamento, como modalidade de trabalho sexual ou como algo intermediário. Essa indefinição importa: se toda relação sugar for vista automaticamente como troca de sexo por dinheiro, outros aspectos da experiência dos participantes desaparecem.

Por que alguém entra em uma relação sugar?

A revisão encontrou três grandes grupos de motivos: financeiros, experienciais e sociais. O financeiro foi o mais frequente. Entre os sugar babies, aparecem o desejo de ganhar dinheiro, pagar despesas, financiar os estudos ou melhorar a situação econômica. Para sugar daddies e sugar mommies, a literatura costuma descrever renda ou patrimônio disponível para compartilhar.

Mas o dinheiro não é a única atração. Algumas pessoas buscam experiências que normalmente estariam fora do seu alcance: restaurantes caros, viagens, compras e eventos. Há ainda a dimensão social, com companhia, intimidade, romance, sexo, amizade, mentoria e networking. Em um dos estudos incluídos, mulheres citaram desde dinheiro e bens materiais até amor, curiosidade, diversão, companhia e oportunidades de aprendizado.

Uma relação pode começar por razões financeiras e ganhar outras características com o tempo. O que para uma pessoa é principalmente fonte de renda pode ser, para outra, também companhia ou acesso a novas experiências.

Os possíveis benefícios

Para estudantes, o dinheiro pode funcionar como renda complementar e ajudar a pagar a universidade, enquanto a flexibilidade dos encontros permite conciliar a relação com os estudos. Outros participantes falam de viagens, entretenimento e acesso a lugares que não poderiam pagar sozinhos, além de companhia, aconselhamento, mentoria e networking. Algumas mulheres relataram aumento da autoestima, sensação de autonomia e maior aceitação de si mesmas.

Esses resultados ajudam a explicar por que a revisão questiona interpretações que tratam toda relação sugar como necessariamente negativa. Muitos participantes descrevem suas escolhas como deliberadas e relatam benefícios concretos.

As desvantagens e os riscos

Isso não significa que essas relações estejam livres de problemas. Um dos temas mais recorrentes é o estigma: 10 dos 27 estudos trataram diretamente do assunto. Participantes relatam vergonha, medo de julgamento e necessidade de esconder seus relacionamentos, sobretudo quando eles são associados ao trabalho sexual.

Também há riscos ligados às diferenças de idade e de recursos. Uma pessoa pode ter muito mais dinheiro, experiência ou poder de negociação do que a outra. Alguns pesquisadores veem nisso uma possível fonte de exploração; outros destacam que as sugar babies frequentemente relatam capacidade de estabelecer limites, negociar as condições e decidir quando participar ou sair da relação.

Nem "boa" nem "ruim"

A questão não é simplesmente descobrir se o sugar dating é bom ou ruim. A literatura mostra um fenômeno complexo, com benefícios econômicos, sociais e experienciais, mas também estigma, desigualdade de recursos e possibilidade de exploração.

Talvez a principal conclusão da revisão seja esta: antes de perguntar se uma relação sugar é positiva ou negativa, é preciso perguntar o que ela significa para as pessoas envolvidas. A falta de uma definição universal mostra que diferentes relações podem ter objetivos, limites e experiências completamente diferentes. E, segundo os autores, ainda são necessárias pesquisas maiores e mais diversas para compreender bem seus benefícios e suas desvantagens.

Os diferentes tipos de relação sugar

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