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Sugar baby: o que a mídia mostra e o que as mulheres realmente vivem

SB Equipe Sugar Brasil · Atualizado em 6 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

O artigo Mediating the Sugar Baby Imaginary: Popular Narratives About Gender and Sexuality in Sugar Dating, da pesquisadora Megan Sawey, publicado em 2025 na revista Media and Communication, procura entender uma questão que o debate público costuma simplificar: o que leva mulheres a participar de relacionamentos sugar e como elas próprias compreendem essas experiências?

Para isso, Sawey compara duas fontes. Primeiro, analisa 60 reportagens da imprensa dos Estados Unidos e do Reino Unido, publicadas entre 2010 e 2024. Depois, entrevista 13 mulheres que participavam ou já haviam participado de sugar dating. As entrevistadas tinham idades e profissões bem diferentes: havia estudantes de graduação e pós-graduação, mas também mulheres empregadas, donas de negócios próprios e executivas.

Uma relação negociada

A autora define sugar dating como uma prática em que duas pessoas negociam explicitamente companhia, intimidade e benefícios materiais, partindo da ideia de que ambas devem ganhar algo com a relação. O que a distingue é justamente essa negociação mais clara sobre o que cada um espera oferecer e receber. Ainda assim, Sawey ressalta que essas relações podem assumir formatos muito diferentes e, em alguns casos, ficar bem próximas de um namoro convencional.

Muitos motivos, não um só

Um dos objetivos do artigo é mostrar que não existe uma única razão para uma mulher entrar em um relacionamento sugar. Pesquisas anteriores apontam motivos como dinheiro ou bens materiais, pagar os estudos, viajar, ter novas experiências, receber orientação ou simplesmente se divertir. Algumas mulheres também se sentem atraídas por homens mais velhos ou por relações casuais com expectativas bem delimitadas.

As entrevistas reforçam essa diversidade. Algumas mulheres estavam mais interessadas nos benefícios financeiros; outras valorizavam a companhia, a intimidade ou a possibilidade de se relacionar sem os compromissos de um namoro tradicional.

O sexo também não é uma constante. Algumas participantes disseram que seus relacionamentos não envolviam sexo, ou que o lado financeiro era o mais importante. Outras afirmaram que desejavam sexo e que o sugar dating lhes permitia explorar a própria sexualidade de forma mais consciente. Uma delas explicou que queria sexo e orgasmos, mas também queria decidir exatamente que tipo de experiência sexual teria.

A imagem da "jovem bonita"

Sawey identifica duas imagens recorrentes na imprensa. A primeira é a da hot younger woman: a jovem bonita que se relaciona com um homem mais velho e rico, imagem muitas vezes associada ao filme Uma Linda Mulher. Ela cria a expectativa de que uma sugar baby precisa ser jovem, magra e dentro do padrão. Algumas entrevistadas sentiam essa pressão e chegaram a se perguntar se eram bonitas o bastante para esse tipo de relacionamento.

Outras contestaram essa visão. Mulheres mais velhas disseram que a idade também traz vantagens, como mais autoconfiança, experiência e facilidade para estabelecer limites. Uma participante que começou no sugar dating perto dos 40 anos contou que, depois de décadas de relacionamentos tradicionais, sabia melhor o que queria e impunha seus limites com mais clareza.

Namoro, trabalho ou renda extra?

A segunda narrativa é a de que o sugar dating seria essencialmente uma forma de trabalho sexual. Algumas participantes concordaram em parte; outras achavam que estavam simplesmente namorando, ainda que os parceiros oferecessem mais apoio financeiro. Uma entrevistada comparou sua experiência a ter vários namorados, e não clientes. Outras preferiam descrevê-la como uma espécie de renda extra, um side hustle.

Ouvir as próprias mulheres

A conclusão de Sawey é que nenhuma dessas duas narrativas explica sozinha a realidade. O sugar dating pode envolver dinheiro, companhia, sexo, afeto, diversão e benefícios materiais, mas a combinação desses elementos muda muito de uma relação para outra. A autora rejeita tanto a ideia de que essas mulheres são simplesmente vítimas quanto a de que têm liberdade absoluta: autonomia, prazer, vulnerabilidade e exploração podem coexistir na mesma experiência.

Por trás do estereótipo da jovem bonita que recebe dinheiro de um homem rico, existe uma realidade muito mais variada. As mulheres entram nessas relações por motivos diferentes e vivem de formas diferentes o dinheiro, a intimidade, o sexo e a autonomia. Por isso, entender o fenômeno exige ouvir as próprias mulheres, em vez de reduzi-las a uma única narrativa.

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